sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Série Plano de Lutas - Fecosul quer extinção do Fator Previdenciário


Criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1997, o fator previdenciário é uma fórmula que leva em conta o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade e a expectativa de vida dos brasileiros no momento da aposentadoria. Assim, quanto menor a idade na data da aposentadoria e maior a expectativa de sobrevida, menor o benefício recebido. Quanto mais velho e quanto maior for o tempo de contribuição do trabalhador, maior será o valor da aposentadoria. 

A Fecosul defende em seu plano de lutas, aprovado no 9º Congresso, que esta fórmula seja extinta, pois só prejudica a classe trabalhadora. O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, falou sobre os motivos para pôr fim a esta famigerada regra. 
Guiomar Vidor, Presidente Fecosul.Guiomar Vidor, Presidente Fecosul.

“Em primeiro lugar, porque é uma injustiça para quem contribuiu durante toda a vida para ter direito a uma aposentadoria decente. Em segundo lugar, porque como esse trabalhador vai receber um salário menor do que ganhava na ativa, ao se aposentar será obrigado a continuar a exercer sua atividade profissional por uma questão de sobrevivência. Tão grave quanto tamanha distorção é que ela impede os jovens em condições de entrar no mercado de trabalho deixem de ocupar aquela vaga que estaria disponível. É um duplo prejuízo: o aposentado recebe menos do que deveria quando exercia sua atividade e, por ser obrigado a continuar a trabalhar, impede que essa vaga seja aberta para quem entra no mercado de trabalho. Por essas razões, o Fator Previdenciário trouxe um grave prejuízo aos trabalhadores, particularmente os mais pobres, que são os primeiros que entram no mercado de trabalho, aos 16, 17 e 18 anos. Já o trabalhador da classe média alta, que vai cursar uma universidade ou pós-graduação, começa a trabalhar em torno dos 25 anos. Quando ele completa 35 anos de atividade, vai ganhar a aposentadoria integral.”, declarou Vidor.

O Projeto de Lei 3.299, de 2008, do senador Paulo Paim (PT/RS), que propõe o fim do fator previdenciário já foi aprovado no Senado. Atualmente, o projeto tramita na Câmara dos Deputados e já teve a votação adiada por várias vezes, sendo a última antes do recesso de julho último.

Para esclarecer sobre os prejuízos do fator previdenciário e as perspectivas de mudança da aposentadoria conversamos com o deputado federal Assis Melo (PCdoB/RS).

Deputado, o senhor acredita na possibilidade do fim do fator previdenciário? Caso não havendo esta possibilidade a regra 85/95 poderia ser uma solução?

Assis Melo: Como trabalhador, diretor da CTB e deputado federal, luto pela extinção do fator previdenciário. Lutamos por isso, desde que o fator foi instituído, porém, no parlamento temos que dialogar para buscarmos uma solução efetiva. 

No Grupo de Trabalho (GT) Desenvolvimento Econômico e Social, criado pelo presidente Marco Maia, para buscar soluções de interesse dos trabalhadores e empresários, tive a oportunidade de apresentar parecer pela extinção do fator previdenciário, quando discutimos esse tema. O relator que representava os empresários, deputado Jorge Corte Real (PTB-PE), apresentou parecer pela manutenção do fator. Com este impasse, tivemos que sentar e buscar um entendimento.   

A tese vencedora teve como base justamente a regra 85/95(soma da idade e do tempo de contribuição do segurado, sendo 85 para as mulheres e 95 para os homens). Após intensos debates, conseguimos incluir algumas medidas para diminuir as perdas dos trabalhadores, como por exemplo, o acréscimo de 2% ao ano, sob o valor do benefício para aqueles trabalhadores que mesmo tendo alcançado a fórmula 85/95 queiram permanecer no mercado de trabalho. Isso também vale de forma inversa, se o trabalhador tiver atingido um dos critérios para a aposentadoria (idade ou tempo de contribuição), mas não tiver chegado nos 85/95, ela poderá se aposentar com um redutor de 2% para cada ano que faltar.

Conseguimos ainda, o congelamento na tabela de expectativa do IBGE e garantir que no caso de demissão nos últimos 12 meses antes da data que o trabalhador tenha o direito de requerer sua aposentadoria, a empresa faça o recolhimento do INSS desse período.

Se for aprovado este texto oriundo do GT, acredito que seja um avanço nesse debate.
Deputado Federal Assis MeloDeputado Federal Assis Melo


Que benefícios ou prejuízos esta regra traria aos trabalhadores? 

Assis Melo: O maior ganho seria o trabalhador usufruir de seu benefício na integralidade, sem as perdas trazidas pelo fator previdenciário, que hoje pode chegar a 40%. Já o prejuízo seria o maior tempo de espera de alguns segmentos para se aposentar. 

Sabemos que os trabalhadores menos privilegiados ou filhos da classe trabalhadora começam a trabalhar mais cedo, 16/18 anos, já os da classe média começam mais tarde (25/26 anos), depois da faculdade ou curso técnico. A regra 85/95 não causaria mais uma injustiça social entre as classes?


Assis Melo: A regra 85/95 não é a ideal, mas foi o que conseguimos negociar no Grupo de Trabalho. A minha preocupação é que o governo tem sinalizado com uma proposta muito pior para os trabalhadores. Eles querem colocar a idade mínima, que prejudica exatamente os filhos da classe trabalhadora que entram cedo no mercado de trabalho. Além disso, se discute no governo utilizar a tabela 85/95 de forma flexível, que significa a sua mudança conforme a ampliação da expectativa de vida calculada pelo IBGE. E o que é ainda pior, chegou a ser ventilada a validação da proposta 85/95, somente para os trabalhadores que ingressem no mercado de trabalho após a aprovação do texto. Essa última medida contraria os interesses de milhares de trabalhadores, que aguardam o desenrolar das negociações para optarem ou não pela aposentadoria.

Como o senhor vê o futuro da aposentadoria no Brasil?

Assis Melo: Preocupante. Tenho sempre o receio de novos arranjos na previdência que leve a diminuição dos benefícios concedidos atualmente aos trabalhadores. 

É preciso uma reforma ampla da Previdência? Como?

Assis Melo: A nossa experiência nos leva a concluir que todas as reformas previdenciárias ao longo da história geraram perdas aos trabalhadores. Sabemos que a previdência social nos moldes atuais precisa de ajustes pontuais, mas para ampliar o seu caráter social e não para diminuir a sua cobertura.


Assessoria de Comunicação Fecosul

Começou programa eleitoral gratuito e Fecosul orienta participação dos trabalhadores no processo eleitoral


A Fecosul – Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do RS orienta que os trabalhadores devam participar do processo eleitoral em curso. A participação dos cidadãos fortalece a democracia e ajuda na transformação da sociedade brasileira.

Guiomar Vidor, presidente da Fecosul, lembra que é dentro da política que são definidos os rumos da economia e dos investimentos no país, no estado e nos municípios. “Queiramos ou não, são os eleitos que definem os rumos das nossas cidades. São eles que definem onde serão investidos os recursos, se na saúde, na educação, no transporte. Por isso a nossa participação é importante”, reforça Vidor.

O presidente diz ainda que é importante observar a trajetória do candidato. “É importante assistirmos e ouvirmos o horário político, e lermos os materiais dos candidatos. Temos que analisar se o que o candidato está dizendo é apenas discursos eleitoreiro ou faz parte de sua trajetória política. Se ele ou ela sempre defendeu propostas identificadas com a democracia e com o desenvolvimento do país, e com a luta dos trabalhadores. Se realmente é coerente com o diz. Assim a nossa participação fará a diferença para um país mais justo, mais democrático e que valoriza quem produz a sua riqueza, que são os trabalhadores”, conclui Vidor.

Propaganda na TV e no rádio

Candidatos a prefeito e vereadores em todo país, exceto no Distrito Federal, começaram nesta terça-feira (21/8), a fazer suas campanhas políticas gratuitas no rádio e na TV. O horário eleitoral vai durar 45 dias e será exibido até o próximo dia 4 de outubro.

A propaganda, tanto no rádio como na TV, será de segunda-feira a sábado, com a duração de 30 minutos duas vezes por dia: das 7h às 7h30 e das 12h às 12h30, no rádio; e das 13h às 13h30 e das 20h30 às 21h, na TV.

Os candidatos a prefeito se apresentarão às segundas, quartas e sextas-feiras. Já os candidatos a vereador: às terças-feiras, quintas e aos sábados.

Pela legislação eleitoral, é proibida a propaganda que degrade ou ridicularize candidatos. O partido ou coligação que descumprir essa regra estará sujeito à perda do direito de veicular sua propaganda gratuita no dia seguinte ao da punição determinada pela Justiça Eleitoral.

Nas cidades com mais de 200 mil eleitores, cuja a eleição a prefeito for para o segundo turno, o início da propaganda eleitoral gratuita será no dia 13 de outubro e se estenderá até o dia 26. O tempo da propaganda será dividido meio a meio entre os dois candidatos mais votados e a sua veiculação, no rádio e na TV, de segunda-feira a sábado nos mesmos horários do primeiro turno.

O tempo de propaganda de cada candidato ou coligação, tanto a prefeito como para vereador, é definido proporcionalmente pelo tamanho das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados. Por esta razão, muitos candidatos procuram formar alianças com legendas para obter mais tempo no rádio e na TV.

Além do horário eleitoral gratuito, os candidatos a prefeito têm direito a inserções diárias na programação normal das emissoras de rádio e TV. A quantidade e o tempo dessas inserções também respeitarão a proporcionalidade usada para definir o horário eleitoral.


Assessoria Fecosul, com informações da Agência Brasil


sexta-feira, 20 de julho de 2012


Série Plano de Lutas Fecosul - Assédio moral no Comércio

Vender, vender mais, atingir metas, vender seguro, garantia e consórcio, atacar a concorrência. Esses são alguns dos objetivos que as empresas que trabalham com vendas mais focam atualmente. Mas até que ponto o trabalhador deve ou pode se sujeitar a estas pressões. Violência psicológica, constrangimento, humilhação, exposição ao ridículo, cobrança e pressão são elementos básicos para a definição do quadro de assédio moral no mundo do trabalho no comércio.

Algumas lojas chegam a obrigar os trabalhadores a usar vestimentas, adereços, e outros artigos relacionados a épocas festivas, causando constrangimentos. Outras situações acontecem no dia a dia do trabalho que também expõem os trabalhadores ao ridículo e a humilhação, diante dos colegas, de clientes e da sociedade em geral. 

A Fecosul defende a integridade física e moral do trabalhador como questão fundamental para todos aqueles que trabalham no comércio. O tema faz parte do plano de lutas, aprovado no 9º Congresso Fecosul no último mês de abril.  A série de matérias do plano de lutas tem o objetivo de esclarecer o que é defendido pela Fecosul em pról os trabalhadores.

Nesta matéria vamos esclarecer aos trabalhadores que atitudes devem ser tomadas quando estiver passando por alguma situação de abuso ou humilhação. E mostrar o caso de um comerciário que pela pressão do dia a dia entrou em depressão e precisou de internação. 

Conversamos com a juíza do trabalho aposentada e membro do Opinio Iuris Instituto de Pesquisas Jurídicas Antônia Mara Vieira Loguércio, e também com o comerciário Vilson Luiz Polidoro vítima de depressão. 

Doutora Mara Vieira Loguércio, juíza do trabalho aposentada e membro do Opinio Iuris Instituto de Pesquisas Jurídicas.Doutora Mara Vieira Loguércio, juíza do trabalho aposentada e membro do Opinio Iuris Instituto de Pesquisas Jurídicas.
Para explicar o que é o assédio a juíza Mara Loguércio refere a Dra. Margarida Barreto, médica do trabalho e batalhadora incansável contra o assédio moral e sexual no trabalho, que configura o assédio moral como “todo o comportamento abusivo (gesto, palavra e atitude) que ameaça, por sua repetição, a integridade física ou psíquica de uma pessoa”. Significa dizer que são três os elementos que constituem o assédio moral: comportamento abusivo o que pressupõe estruturas hierárquicas e autoritárias de poder; repetição desse comportamento por um determinado período, ainda que seja alterada a forma como ele se expressa. O abuso expresso pode ser através de palavras, na próxima vez por gestos ou por atitudes. No caso do assédio sexual, porém, conforme a gravidade do fato basta que o comportamento abusivo seja expresso apenas uma vez.

Doutora Mara, qual atitude e a quem recorrer quando se sofre algum tipo de assédio? 

Eu novamente cito a médica Margarida Barreto que alerta que a vítima deve resistir: anotar com detalhes as humilhações sofridas; dar visibilidade, procurando ajuda dos colegas; organizar o apoio dentro e fora da empresa; evitar conversar com o agressor, sem testemunhas; exigir, por escrito, explicações do ato do agressor e permanecer com cópia; procurar o Sindicato e outras instâncias (médicos, psicólogos etc.); recorrer ao Centro de Referência em Saúde dos trabalhadores e contar o fato; buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para a recuperação da autoestima, da dignidade, da identidade e cidadania. 

É importantíssimo que as vítimas de assédio não se sintam culpadas por serem assediadas, isto é, que o problema não é da vítima, que o comportamento reprovável é do agressor. 

O assédio pode ser sintetizado numa palavra: humilhação. E a humilhação é considerada como um sentimento de ser ofendido, menosprezado, rebaixado, inferiorizado, submetido, vexado, constrangido e ultrajado pelo outro. No entanto, o assediado também se sente um ninguém, sem valor, inútil, magoado, revoltado, perturbado, mortificado, traído, envergonhado, indignado e com raiva, sentimentos descritos pela Dra. Margarida. 
A anotação, pelo empregado, das humilhações sofridas é fundamental. Como o que caracteriza o assédio é a repetição, a vítima deve anotar todos os dados como dia, hora, local, testemunhas que presenciaram o fato e a descrição completa da atitude agressiva. 

A divulgação do ocorrido não deve envergonhar o trabalhador vítima de assédio. É de vital importância que outras pessoas, dentro e fora da empresa tomem conhecimento e, inclusive ajudem a prevenir novas agressões ou a não deixar a vítima ficar sozinha na presença do agressor, procurando sempre acompanhá-la. 

Exigir por escrito as insinuações e ameaças sofridas pode ser muito importante quando se trata de estabelecimentos de metas a serem cumpridas, inclusive porque, quase sempre as metas são flexíveis, ou seja, quando cumpridas pelo trabalhador são imediatamente aumentadas para não permitir seu cumprimento, o que ocorre muito com vendas por telefone.
Procurar médicos, psicólogos e Centros de Referência da empresa é aconselhável sobretudo nos casos frequentes de “somatizações”, prejuízos físicos e psíquicos causados pelo assédio. O essencial, porém, é buscar ajuda entre amigos e a família e, principalmente, junto ao sindicato.

Uma ideia que deve ser divulgada amplamente em cada setor de trabalho é a seguinte: Se alguém for testemunha de cena(s) de humilhação no trabalho, deve superar o medo e ser solidário com seu colega, pois poderá ser “a próxima vítima” e nesta hora o apoio de seus colegas também será precioso. Não deve ser esquecido que o medo reforça o poder do agressor.

Qual o papel dos sindicatos nesta questão?

Há várias medidas que os sindicatos podem tomar como, por exemplo, fazer campanhas divulgando tudo sobre o assédio moral e orientando os trabalhadores na luta contra ele, distribuindo cartilhas, diário de assédio, etc. Outra medida importante é a diretoria do sindicato fazer uma visita ao setor médico ou à direção da empresa e relatar casos de abusos cometidos, embora não necessariamente indicando o nome das vítimas. Não deve ser esquecido que o assédio praticado por qualquer superior hierárquico da vítima é de responsabilidade do empregador. 

Na luta institucional, o sindicato deve inserir na norma coletiva a existência de um estatuto disciplinar da empresa ou, ao menos, algumas regras de tratamento de sorte a impedir ou a tornar bastante oneroso para o empregador os comportamentos característicos de assédio moral e/ou sexual. 

Não deve ser desprezado, também, o esforço do sindicato junto aos Poderes Constituídos por uma lei específica que penalize o assédio moral, bem como a aplicação do art. 11 da Constituição da República que prevê: Nas empresas com mais de duzentos empregados é assegurada a eleição de um representante com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. Registro que não é no estabelecimento e sim na empresa, o que implica devam ser somados os trabalhadores das várias filiais da mesma empresa.  

Como enfrentar este problema dentro da empresa?  

Buscando estabelecer a democracia interna das relações de trabalho através de limitações do poder unilateral tanto de direção (participação dos empregados nos órgãos de direção da empresa), como de organização: OLT (organização pelo local de trabalho, art.11 da Constituição). O trabalhador assediado deve, também, procurar a CIPA em razão das consequências comprovadas do assédio na saúde física e psíquica da vítima e ainda, a exposição da mesma a um índice maior de acidentes.

Exigindo a participação e controle do coletivo laboral e dos sindicatos: para isso deve ser utilizado o poder fiscalizador do sindicato, ingressando na empresa ou denunciando quando o ingresso for impedido; os próprios empregados e/ou o sindicato devem denunciar o mais amplamente possível às demais autoridades e promover a divulgação geral dos fatos. 

É, também, possível uma ação de indenização por danos morais pelos malefícios produzidos em razão do assédio. Finalmente, é indiscutível que o empregado pode dar por rescindido o contrato de trabalho, recebendo as rescisórias como se tivesse havido uma rescisão sem justa causa, com base no art. 483 da CLT. 

Como o trabalhador assediado pode obter provas do assédio moral? E do sexual?

Esta é uma das maiores dificuldades. Logicamente são aplicáveis todas as provas admitidas em direito, quais sejam, a documental, a pericial e a oral (depoimento das partes e testemunhas). Todavia, nos casos de assédio, o empregador toma todos os cuidados para não deixar nada registrado em documentos. Eventual perícia somente poderia ser realizada na vítima depois que comprovados os efeitos na estrutura física ou psíquica do assediado. E a prova testemunhal resta dificílima porque, como alerta a Dra. Margarida Barreto: “por medo do desemprego e da vergonha de serem também humilhados, associados ao estímulo constante à competitividade, [os colegas] rompem os laços afetivos com a vítima e, frequentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o 'pacto da tolerância e do silêncio' no coletivo, enquanto a vítima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, ‘perdendo’ sua autoestima.

De qualquer sorte, há provas que podem começar a ser “tentadas”, embora a resistência do judiciário em aceitá-las, a tendência, contudo, que pode ser revertida. É o caso das gravações tomadas sem o consentimento da vítima, das mensagens eletrônicas através da Internet, dos indícios, de perguntas incisivas feitas ao agressor e/ou às suas testemunhas. O mais importante, contudo é se conseguir para os casos de assédio moral e sexual o mesmo tratamento que a teoria jurídica universal já está dando para a despedida discriminatória, ou seja, transferir o ônus da prova para o agressor. Significa denunciar o agressor, publicamente ou em juízo, ficando por conta dele provar que não houve o assédio moral e sexual. E, enquanto o Judiciário não avança até este entendimento, buscar com os demais Poderes a elaboração de leis processuais que determinem, nesses casos, a inversão do ônus da prova.

Pressão no trabalho que levam a depressão

Vilson Luiz Polidoro, 50 anos, casado, pai de dois filhos, 28 anos de trabalho no comércio, destes 23 nas Lojas Colombo, de onde saiu aposentado no mês de maio deste ano. Polidoro que é membro da diretoria do Sindicomerciários de Caxias do Sul, conta como foi sua trajetória de vendedor até a internação em uma clínica psiquiátrica.

“Quando comecei como vendedor a profissão era bem valorizada, com comissões boas. A gente vendia um produto e ganhava comissão sobre este produto. Agora para ganhar comissão é preciso vender o produto e serviços agregados como seguro, garantia, consórcio, meta de juros para atingir as metas”, conta o ex-vendedor.    
Polidoro teve que ser internado numa clínica de tratamento devido as pressões que sofria no trabalho.Polidoro teve que ser internado numa clínica de tratamento devido as pressões que sofria no trabalho.
Ele diz também que é preciso atingir determinado valor de venda para conquistar a pontuação estabelecida e ainda passar por avaliação das gerências. “Para atingir a meta e vender todos os serviços é preciso dedicação quase exclusiva à loja. E então deixamos de lado a família e nossa própria vida. Abrimos mão até das folgas para alcançar as metas”, relata Polidoro.

Nesta pressão pelas metas os vendedores também perdem o respeito uns pelos outros. Segundo o ex-vendedor, é preciso vender e nesta agonia alguns acabam perdendo o espírito de coleguismo e passam por cima dos colegas.

Conforme Polidoro há 12 anos as coisas começaram a mudar. Houve troca de diretorias e o sistema da empresa foi mudando, ficando mais competitivo. “Foi neste período que apareceram as seguidas reuniões, metas de consórcio, garantias. A gente vai pra casa e fica pensando que precisa vender para alcançar metas para receber o salário e pagar as nossas contas. A gente não consegue dormir”, conta o trabalhador.

Polidoro disse que alguns colegas até compravam os consórcios para atingir as próprias metas. Outros precisavam ficar até mais tarde na loja para vender os consórcios e cumprir as exigências. Outra questão relatada pelo comerciário é que por ser sindicalista alguns gerentes o tratavam diferente. E por isso muitas vezes foi excluído das vendas, e os colegas o discriminavam.

Depressão e Internação

“Por tudo isso fui me fechando, me afastando das pessoas. Parecia que todos estavam contra mim. Foi então que percebi que não estava bem e procurei ajuda. Eu estava com depressão. Sentia muita angústia”, conta o comerciário.   

Diante deste quadro Polidoro foi internado em uma clínica Psiquiátrica para repouso onde ficou por 10 dias. “Eu tive que me ajudar muito para dar a volta por cima. Ainda mais depois que encontrei outros colegas do comércio na mesma situação que eu, e alguns muito piores”, revela.

Ao sair da clínica, Polidoro resolveu que iria parar de trabalhar, e, por estar aposentado saiu da loja. “Agora resolvi parar, dar atenção para a minha família e cuidar da minha saúde. Estou em casa e sinto que meus filhos estão mais felizes porque agora posso ir na escola ver a apresentação como no dia das mães. Os meus amigos até falam que estou sorrindo mais. Por enquanto vou me dedicar a família e viver um pouco mais tranquilo, depois vou fazer cursos”, descreve.

“Nos dias de hoje, na correria, as pessoas acham que o vendedor tem que estar sempre à disposição, bem humorado. As pessoas chegam exigindo bom atendimento sem respeitar o vendedor e sem saber a realidade do nosso trabalho”, desabafa.

Polidoro alerta aos colegas do comércio e a todos os trabalhadores que prestem atenção na sua situação do trabalho. “Quem estiver se sentindo humilhado ou pressionado deve procurar ajuda e se for o caso denunciar o assédio. Todos temos que trabalhar, mas devemos exigir ambiente de trabalho decente”, finaliza o ex-comerciário.


Assessoria de Comunicação Fecosul – Márcia Carvalho e Marina Pinheiro

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Confira o discurso do presidente Guiomar Vidor na cerimônia de posse da nova diretoria Fecosul:



Estamos aqui para sermos empossados, após a realização de um dos maiores congressos de nossa categoria. O IX Congresso contou com mais de 220 delegados(as) de 50 entidades, representando mais de meio milhão de trabalhadores do setor do comércio e serviços de nosso estado, onde debatemos assuntos importantes, como a conjuntura política e os desafios do movimento sindical na atualidade. Aprovamos um plano de lutas que resgata a necessidade de uma mobilização mais intensa para avançarmos rumo a novas conquistas para categoria e o conjunto da classe trabalhadora.


Ampliamos e reforçamos a nossa direção, agora com 66 membros e 7 vice-presidências regionais. Ampliamos os espaços para as mulheres e a juventude, que hoje representa parcela expressiva de nossa categoria. Mesmo sendo filiados a CTB, o que muito nos orgulha, buscamos contemplar todas as demais forças políticas que atuam dentro de nossa entidade, construindo na prática a unidade dos comerciários gaúchos reforçando a luta por novas conquistas.


Nos debates do IX Congresso, concluimos que os reflexos da crise do capitalismo desencadeada nos países desenvolvidos afeta a economia mundial e a vida dos trabalhadores e que o Brasil não está fora deste contexto. O governo Lula adotou medidas importantes para fortalecer o mercado interno, como a valorização do salário mínimo, bolsa família, incentivos a setores da economia mais atingidos pela crise. Devolveu ao estado o papel de indutor do processo de desenvolvimento econômico, o que foi mantido pela presidenta Dilma. Medidas corretas e importantes, que ajudaram num primeiro momento o Brasil enfrentar a crise, mas ainda insuficientes para potencializar a nossa economia e reverter o processo de desindustrialização. São necessárias medidas mais profundas para melhorar a nossa competitividade no mercado externo.

A política macroeconômica precisa ser revista. Os juros baixaram, mas há espaço para uma redução maior. O câmbio deve servir aos interesses do país e não dos especuladores. O superávit primário deve ser reduzido para que o estado possa investir mais em saúde, educação, segurança e infra-estrutura.

A FECOSUL continuará no rumo das mudanças que interessam aos trabalhadores e ao povo brasileiro. Bandeiras unitárias e importantes precisam ser levantadas com mais intensidade pelo conjunto do Movimento sindical como: Redução da Jornada de trabalhoFim do fator Previdenciário-Posição do Governo; Reforma agrária com política agrícola; Aprovação da Convenção 158 da OIT; Regulamentação da categoria,com valorização da profissão e garantia ao descanso dominical.

Precisamos nos opor determinantemente às propostas que objetivam enfraquecer e dividir o movimento sindical e a luta dos trabalhadores. A FECOSUL defende a unicidade sindical, o direito de organização no local de trabalho, a contribuição sindical, e uma legislação que garanta a sustentabilidade das entidades dos trabalhadores, respeitado sempre o princípio da razoabilidade.

No pleito eleitoral, devemos participar ativamente, conforme resolução de nosso 9º congresso, apoiando candidatos(as) comprometidos com a luta dos trabalhadores, com o desenvolvimento e com a melhoria da qualidade de vida de nosso povo.

No Estado, com o governo Tarso Genro, estamos conquistado avanços importantes para a classe trabalhadora, os quais precisam ser consolidados. Precisamos avançar na construção de uma política permanente de valorização do piso regional, do cumprimento do percentual de 12% para a saúde, pagamento do piso aos professores, valorização da agricultura familiar, entre outros.

Para auxiliar nestas conquistas, a sociedade civil organizada precisa assumir a luta pela repactuação da dívida pública do estado com a união, que consome quase 14% de nosso orçamento, sufocando seu poder de investimento.

Por fim, quero dizer que sou dos que acreditam que o futuro pertence àqueles que confiam nos seus sonhos e lutam para transformá-los em realidade. Por tudo isto, estaremos mais uma vez à frente desta entidade classista e de luta, trabalhando de forma unitária, coletiva e aguerrida na defesa dos direitos dos trabalhadores, da democracia, do desenvolvimento e da justiça social. 

Muito obrigado!

Guiomar Vidor

Presidente da Fecosul participa de debate sobre reflexos da crise na economia do Estado


Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

A oitava reunião do pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), no Palácio Piratini, nesta terça-feira (10), teve como tema "A melhor proteção contra a crise é crescermos juntos". O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, que é conselheiro, participou e discursou sobre os rumos da economia do Estado e do País.

O governador Tarso Genro apresentou as estratégias adotadas pelo Poder Executivo para estimular o crescimento econômico e social do Estado e, assim, enfrentar os efeitos da crise mundial e seus reflexos no Rio Grande do Sul. Entre as medidas, Tarso destacou quatro ações principais executadas ao longo do primeiro ano e meio de gestão: utilização de recursos próprios para recuperar as funções públicas do Estado, desenvolvimento de uma política de relações internacionais, reconstrução do espaço fiscal e tomada de recursos da União e de agências financeiras para investimentos em infraestrutura.

De acordo com o chefe do Executivo, a antecipação dessas iniciativas também foi determinante para minimizar os efeitos da crise na economia do Estado. "Nós conseguimos nos precaver e tomar as medidas contra a crise antecipadamente. Se iniciássemos a busca de recursos agora, eles não viriam a tempo. Nós estamos adiantados em relação aos outros Estados e isso é resultado, também, do trabalho dos conselheiros", reconheceu, ao solicitar auxílio do colegiado na busca de soluções para o déficit previdenciário do RS.

Guiomar Vidor falou que os reflexos da crise do capitalismo afetam toda a economia mundial e o Brasil e Rio Grande do Sul, não estão fora deste contexto. “Medidas como valorização do salário mínimo, bolsa família, minha casa minha vida e PAC 1 e 2, ajudaram o Brasil a enfrentar a crise mas não são suficientes para potencializar a economia e reverter o processo de desindustrialização no país. São necessárias medidas mais profundas para melhorar a nossa competitividade no mercado externo e consolidar o mercado interno”, salientou Vidor.

O presidente da Fecosul acrescentou que é preciso um projeto nacional de desenvolvimento e valorização do trabalho. E que as medidas de incentivo do governo gaúcho à cadeia produtiva e a política industrial, e a valorização do piso regional, ainda estão aquém do necessário para desenvolver o Estado.

“O esforço do governo do Rio Grande do Sul tem esbarrado num grande dilema. Ou repactua a dívida com a união que consome 14% da arrecadação, ou dificilmente terá poder maior de investimento”, explica Vidor.

Mas o conselheiro e líder sindical chama a sociedade para participar das ações pelo desenvolvimento do Estado. Vidor saúda a iniciativa da Assembleia Legislativa e convida toda a sociedade civil para ato pela repactuação da dívida pública, que tem lançamento na próxima quarta-feira, dia 18, às 9h, na Escola Superior de Magistratura, e ato público dia 14 de agosto, no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa.

Fonte: Assessoria Fecosul, com Secom.

Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini  

Autoridades e lideranças prestigiaram posse da nova diretoria Fecosul


A noite chuvosa da quinta-feira (05/07) não impediu que mais de 200 convidados prestigiassem a posse da nova diretoria da Fecosul. Autoridades, políticos e lideranças sindicais exaltaram a importância do trabalho da Federação na defesa dos trabalhadores do comércio e serviços.

Presidente empossado, Guiomar Vidor Presidente empossado, Guiomar Vidor
O presidente reeleito e empossado, Guiomar Vidor, foi extremamente aplaudido e elogiado pelo seu discurso que destacou a ampliação da representatividade dos sindicatos e das mulheres na nova diretoria da Fecosul. “Ampliamos e reforçamos nossa direção, agora composta por 65 membros e sete vice-presidências regionais. Vamos continuar contemplar todas as forças políticas que atuam dentro de nossa entidade, construindo na prática a unidade dos comerciários gaúchos e reforçando a luta por novas conquistas”, declarou o presidente Vidor.

Presidente da CNTC, Levi Fernandes PintoPresidente da CNTC, Levi Fernandes Pinto
Levi Fernandes Pinto, presidente da CNTC, em seu pronunciamento, destacou lutas dos comerciários com ênfase na regulamentação da categoria. Ele também reverenciou a atuação da Fecosul e a importância da entidade gaúcha nas lutas gerais dos trabalhadores do Brasil.

A mesa de da cerimônia de posse foi composta por autoridades e lideranças como: o presidente da CNTC, Levi Fernandes Pinto; Superintendente Regional do Trabalho e Emprego RS, representando o Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Brizola Neto, Cláudio Antônio Cassou Barbosa; diretor de Qualificação e Gestão Pública do RS, Paulo Renato Rodrigues, representando o Governador Tarso Genro; Deputado Federal Assis Melo; Secretária de Estado do Turismo, Abgail Pereira; Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região Cláudio Luiz Corrêa Silva; ´Presidente da UGT/RS, Paulo Barck; Vice-presidente da CTB/RS e tesoureiro da FETAG/RS, Sérgio de Miranda; Diretora-Secretária Geral Adjunta da OAB/RS, Maria Helena Camargo Dornelles e os diretores da Fecosul Silvana Maria da Silva e Paulo Fernando Pinto Ferreira.

Guiomar Vidor recebe diploma das mãos do Presidente da CNTC; da Secretaria de Turismo, Abgail Pereira; do Presidente da Federação dos Comerciário do Nordeste, José Coelho e do 1º Secretario da CNTC, Lourival Figueiredo Melo.Guiomar Vidor recebe diploma das mãos do Presidente da CNTC; da Secretaria de Turismo, Abgail Pereira; do Presidente da Federação dos Comerciário do Nordeste, José Coelho e do 1º Secretario da CNTC, Lourival Figueiredo Melo.
Após os discursos todos os diretores empossados receberam diploma e carteira de identidade sindical das mãos da Fecosul e do presidente da CNTC, que declarou a diretoria empossada. 

A posse também foi prestigiada por outras várias autoridades e lideranças que se fizeram presentes, além de dirigentes de diversos sindicatos de todo o Estado, amigos e funcionários da Fecosul.

Assessoria de Comunicação Fecosul

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Longa jornada e baixos salários afastam trabalhadores do comércio

Reproduzo matéria produzida pela Fecosul que retrata a situação dos comerciários gaúchos.

A Fecosul com apoio dos seus sindicatos realizou pesquisa informal sobre a satisfação de trabalhar no comércio. As respostas não surpreenderam. O salário e a jornada de trabalho dos comerciários são os fatores que mais afetam os trabalhadores do setor. Estes são os motivos de muitos pedidos de demissão, da alta rotatividade no setor e da dificuldade do comércio, em especial os supermercados, conseguirem mão de obra.


A grande maioria que quer sair ou que já saiu do comércio aponta a extensa jornada e a pouca valorização do trabalho como decisivos para a continuação no setor. Principalmente, os que estão em supermercados, e que trabalham domingos e feriados.

Mesmo os que gostam do seu trabalho, do contato com o cliente, se queixam da falta de valorização desta atividade essencial para a economia das cidades, do Estado e do País. Os comerciários ainda citam a falta de vale transporte, a falta de vale alimentação, falta de auxílio creche, de auxílio estudante, entre outros.

Até mesmo quem é demitido não lamenta. “Foi uma boa porque não aguentava mais as condições de trabalho e o pouco incentivo para crescer, relata Janaína Souza de Morais, 20 anos, de Ijuí. “Está demais’, a primeira questão que fez um sair do supermercado foi a financeira, e depois o horário”, disse Marcos Meira, 30 anos, também de Ijuí, que mudou de setor.

Em Carazinho e Região, de janeiro a maio deste ano, foram 132 pedidos de demissão de funcionários de supermercados. "Chegou um tempo que eu decidi que precisava de qualidade de vida. Raramente se tem um sábado livre, quando se trabalha no comércio, então fiz um concurso público e passei”, comemora Vanderlei Assmann, 34 anos, que trabalhou 13 no comércio de Carazinho.

As queixas são as mesmas para todos os entrevistados. Mesmo os que querem continuar no setor reivindicam melhorias e mais valorização do trabalho. É o que dizem trabalhadores no comércio de Santiago, Taquari, Farroupilha, Uruguaiana, Bento Gonçalves, Taquara, ijuí e Carazinho, que responderam a pesquisa.

Dieese mostra a diferença entre comércio e outros setores

Estudo do Dieese aponta que a jornada média semanal do comércio é de 47 horas, a mais alta entre os setores. Esta média ultrapassa em 3 horas, a jornada semanal de 44 horas. E afeta mais os jovens e as mulheres. Os jovens comerciários não podem prosseguir nos estudos e na sua qualificação, quesito muito cobrado na hora de contratar. Já para as mulheres comerciárias, que na região Metropolitana de Porto Alegre são a grande maioria das trabalhadoras do setor e 63% são mães, é difícil conciliar a vida profissional e a familiar com a jornada tão longa. As condições afetam a família toda.



Ao analisar a renda, o Dieese mostra que o salário do comerciário está na frente apenas do setor agropecuário, que tem média de R$ 749,60, e no comércio a média é R$ 797,30. Já na indústria e serviços a jornada é menor, 43 e 42 horas, respectivamente, e os salários de contratação giram em torno de R$ 914,10 e R$ 919,20.

Pedidos de demissão são 33% dos desligamentos no comércio

Conforme o estudo do Dieese, feito pela economista Daniela Sandi, os pedidos de demissão no comércio gaúcho representam 33,4% dos desligamentos. Este índice representa um terço das demissões, ficando abaixo apenas das demissões por iniciativa das empresas que são 45,6%.

Fecosul diz que vai continuar luta pela redução da jornada

Para o presidente da Fecosul, Guiomar Vidor a pesquisa feita com o apoio dos sindicatos, mesmo que informal, mostra a situação dos trabalhadores no comércio do Estado, em especial dos trabalhadores em supermercados. “É preciso que os empresários do setor se conscientizem que os trabalhadores precisam ser valorizados. Que o trabalho aos domingos não dá lucro, não gera emprego, deixa o trabalhador descontente e desagrega a família. Este estudo também fortalece e justifica a campanha do movimento sindical pela jornada de 40 horas semanais", destaca Vidor.

“A Federação vai continuar e aprofundar a luta nas negociações coletivas para que melhorem as condições de trabalho, que melhorem os salários e que haja descanso aos domingos e feriados”, completa o presidente da Fecosul.

“Fica claro que a atividade profissional no comércio começa a deixar de ser interessante. Fica mais claro ainda a necessidade que a classe patronal reveja seus conceitos conservadores. Qualidade de vida é preciso”, defende o presidente do Sindicato dos Comerciários de Carazinho e Região, Ivomar de Andrade (Tomate).

Assessoria de Imprensa Fecosul, com colaboração de Adriano Shöer e Sereno Azevedo.



sexta-feira, 15 de junho de 2012

Série Plano de Lutas – Fecosul defende participação de dirigentes nas eleições



A Fecosul defende em seu Plano de Lutas, aprovado no 9º Congresso, a participação ativa de dirigentes sindicais no processo eleitoral. Além da participação, deve haver o apoio público a candidaturas comprometidas com as lutas dos trabalhadores em defesa do desenvolvimento de um país mais justo.

Efetivamente dirigentes sindicais fazem parte, ainda, de uma minoria a ocupar cargos eletivos. No entanto, há de se registrar os avanços e as intervenções que os dirigentes sindicais vêm provocando ao longo do processo de redemocratização e de afirmação das grandes bandeiras de luta da classe trabalhadora nos rumos do país. Assim, a Federação busca incentivar nossos dirigentes a tomar frente de cargos em todas as instâncias, seja municipal, estadual ou federal.

O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, destaca que o papel primordial do dirigente sindical é representar de forma eficiente àqueles que representa, ou seja, os trabalhadores de sua base. “Construir uma entidade forte, com uma direção coletiva, que fiscalize as condições de trabalho e que busque mais avanços para categoria”, observa Vidor.

“Agora, um dirigente sindical não pode apenas se ater a isto, precisa estar presente na luta do conjunto de sua classe, onde estão incluídas as mais diversas categorias. A unidade da classe trabalhadora e sua luta de forma coesa é que possibilitem novas conquistas para os trabalhadores”, acrescenta o presidente da Fecosul.

Por outro lado, se observa que a luta dos trabalhadores e suas conquistas, cada vez mais dependem da luta política. Conquistar o reajuste do salário mínimo, 40 horas semanais, fim do fator previdenciário, terceirização, tudo se decide no Congresso Nacional.

Salário mínimo regional, investimentos em saúde, segurança, educação, dependem da nossa força nas ruas e na Assembleia Legislativa e nas Câmaras de Vereadores. Considerando ainda que são as Câmaras de Vereadores que decidem sobre o horário de funcionamento do Comércio e dos serviços de cada cidade. “Se este raciocínio está correto, podemos afirmar que se tivermos nos governos e no parlamento pessoas comprometidas com a nosso luta, mais fácil vai ser de conquistarmos nossos objetivos. É neste sentido que a Fecosul apontou em seu 9º Congresso, a necessidade de elegermos pessoas de nosso meio comprometidas com as nossas bandeiras de luta. Somente desta forma conseguiremos avançar na construção de um projeto de nação desenvolvida, democrática e que tenha como mola mestra a valorização do trabalho”, enfatiza Vidor.

Segundo o presidente da Fecosul, a eleição de Lula mudou os rumos do país. Vidor observa que muito ainda precisa ser feito, mas ficou patente que com a visão de um trabalhador, podemos dar início a um ciclo de mudanças que não pode parar. “Cada um de nós pode dar a sua contribuição na construção deste novo Brasil que queremos. Nas eleições deste ano, vamos eleger pessoas que tenham compromisso com nossa categoria e com o conjunto da classe trabalhadora”, completa.

Entre os representantes sindicais comprometidos com a luta dos trabalhadores está a segunda vice-presidente da Fecosul e presidente licenciada do Sindicato dos Empregados no Comércio de Ijuí, a vereadora em Ijuí, Rosane Simon.


Rosane, qual a importância de estar na Câmara representando os trabalhadores?  
Considero fundamental estar na Câmara de Vereadores com essa consciência de classe, pois em grande parte das ações e projetos que analisamos, fizemos esse filtro de ver se beneficia ou não a maioria do povo que são os trabalhadores.


Você acha que os eleitores têm dificuldade de entenderem a diferença de um candidato que vem do meio sindical e que está comprometido com seus interesses? Por quê?
Os apelos e campanhas da grande mídia para denegrir a imagem da política, dos políticos são imensos. Daí dificulta um pouco essa identidade que o eleitor possa ter com seu representante. Mas com o trabalho sério e a divulgação que o dirigente sindical faz via imprensa sindical ou mesmo imprensa local (em especial o rádio no interior), é possível sim atingir parte importante da classe trabalhadora e ter seu apoio.


Qual o papel de um dirigente sindical que ocupa um espaço de poder, seja no legislativo ou executivo?                                                       
Nosso papel é ser fiel ao que pregamos enquanto sindicalistas, ou seja, estar atento e lutar para que se consiga avançar nas conquistas dos trabalhadores e das trabalhadoras. E procurar ampliar sempre a compreensão da sociedade no que se refere a ser parceira da nossa luta.



Assessoria de Comunicação Fecosul

Márcia Carvalho
Marina Pinheiro 
Fotos: Tiago Cidade


quinta-feira, 21 de julho de 2011

100 anos da descoberta de Machu Picchu

Neste ano,a partir de 3 de julho, estão sendo realizadas as comemorações dos 100 anos da descoberta de Machu Picchu (montanha velha no idioma quíchua), símbolo vivo do grande Império Inca que durou de 1438 até 1533.

O arqueólogo e professor Hiram Bingham(1875-1956)foi quem chefiou a expedição, que em 24 de julho de 1911, orientada por agricultores das proximidades o levaram até o local das ruínas.

Machu Picchu está situado no colo de uma linda montanha, a quase 2.500 metros acima do nível do mar, servindo de observatório a uma vista esplendorosa, cercada pelo Vale do Rio Urubamba, montanhas imensas, de uma beleza difícil de ser descrita por palavras.



Segundo os historiadores, Machu Picchu, demorou em torno de 100 anos para ser construída e ainda estava inacabada. Abrigava em torno de 500 a 600 moradores.

O que chama atenção, é a forma com que aquele povo, há mais de 500 anos, realizou obras, por toda parte do império, com arquitetura e engenharia tão avançadas, que surpreendem a engenheiros e a qualquer observador mais exigente.

A descoberta de Machu Picchu, teve um papel determinante no ressurgimento do passado inca e na preservação da cultura de um povo que foi dizimado pelos colonizadores espanhois.

Junto com Machu Picchu, resurgiu a identidade de um povo que construiu um império que possuía mais de 12 milhões de habitantes, se estendendo desde o norte da Argentina até o Equador, com mais de 25 mil quilômetros de estradas ao longo do litoral e embrenhadas por dentro da mata.



Desde Cusco, centro do grande Império Inca, que foi totalmente destruído pelos Espanhois, passando pelo Vale Sagrado, a Machu Picchu, podemos desfrutar de uma paisagem exuberante, irmanada com a história de um povo que dedicou-se com grande propriedade, não só à realização de grandes e magníficas obras de engenharia, mas também no desenvolvimento de um modelo agrícola adequado àquela região íngreme, contribuindo na domesticação de vários produtos como a batata, o milho, entre outros.Um povo simples, solidário e apegado a mãe terra a quem tem um apreço inestimável.

Tanto na cidade de Cusco, bem como por toda extensão do Vale Sagrado e na capital Lima, podemos observar verdadeiras obras de arte ao ar livre, passando por museus e magníficas igrejas construídas pelos espanhois. Destaca-se aqui as catedrais de Cusco e de Lima, esta última, com duas imponentes torres, cinco naves e dez capelas laterais, esbanja uma beleza interna de obras sacras inimagináveis.



Eu e meu filho Thomaz, ficamos encantados com tanta beleza e hospitalidade.Com certeza este é um dos mais lindos passeios que podem ser realizados. Nós recomendamos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fecosul posiciona-se contra Megafusão Pão de Açúcar/Carrefour

A Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do RS-FECOSUL-, vem a público manifestar sua contrariedade a megafusão anunciada pelo grupo Pão de Açúcar com a gigante varejista francesa Carrefour, que passariam a representar mais de 40% das vendas efetuadas pelas 500 maiores empresas do setor no Brasil.

Esta fusão representa uma concentração cada vez maior do setor no país, o qual além de provocar prejuízos à concorrência no comércio em geral, traz prejuízos ao setor industrial impondo preços e condições, aos consumidores em médio prazo e aos trabalhadores do setor, que com a concentração tem os empregos reduzidos e as condições de trabalho cada vez mais precarizadas.

Outro fato inaceitável, é a utilização de dinheiro público, mais de R$4,5 bilhões, que seriam liberados pelo BNDS para viabilizar a referida transação. Dinheiro que falta para investimentos na área da saúde, educação, infra estrutura, e tantas outras necessidades bem mais prioritárias que a fusão de duas gigantes do setor varejista, que nada trazem de benefícios a economia e a sociedade brasileira.

Porto alegre, 04 de julho de 2011.

Guiomar Vidor-Presidente da FECOSUL

Caminhada de comerciários lança campanha salarial em Porto Alegre


Cerca de 400 comerciários vindos de várias partes do Estado participaram, na manhã desta quinta-feira, dia 30, de caminhada no centro de Porto Alegre. A manifestação marcou o lançamento estadual da campanha salarial 2011 da categoria e foi organizada pela Federação dos Comerciários do Rio Grande do Sul (Fecosul). A caminhada reuniu cerca de 50 sindicados filiados à Fecosul. Agora, as manifestações serão levadas ao Interior. O presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, considerou positivo o resultado do ato. “É o começo. É a grande luta dos comerciários e vai intensificar a mobilização da categoria. Também serviu para denunciar o descaso no tratamento que recebemos nas mesas de negociação.”

Em reunião de negociação no dia 17 de junho, a Fecomércio propôs um piso salarial de R$ 625,00 (abaixo do piso salarial no RS que é de R$ 638,00) e aumento de 5,27% nos salários dos trabalhadores do comércio. O presidente da Fecosul considerou frustrante a proposta. O reajuste sinalizado pela federação patronal está abaixo da variação do INPC, que foi de 6,44% nos últimos 12 meses. A categoria reivindica piso de R$ 750,00 e aumento salarial de 14%. “Os índices de crescimento e as previsões do setor para 2011 demonstram que as empresas têm plenas condições de atender aos trabalhadores”, disse Vidor. Ele lembrou ainda que o comércio teve um lucro 10,7% acima da inflação no ano passado. O slogan da campanha salarial deste ano é “Chega de Levar Balão. 14% Já. Comércio de bolso cheio, comerciário de bolso vazio”. A caminhada de ontem (30) teve como pont o final o prédio da Fecomércio, na rua Alberto Bins. Nova rodada de negociação, inicialmente marcada para dia 1º, está agora agendada para o dia 8 de julho.



A pauta que vem sendo negociada pela Fecosul com a Fecomércio inclui 70 cláusulas. Entre as principais se destacam as reivindicações de que nenhuma empresa do comércio no Estado pague salário menor que o valor do piso regional, trabalho aos domingos e feriados somente com convenção coletiva de trabalho, licença-maternidade de 180 dias, plano de saúde, auxílios creche e escolar, além de outras.



A concentração dos trabalhadores do comércio gaúcho teve início na Esquina Democrática a partir das 9 horas. Dali, eles seguiram em caminhada pela rua dos Andradas até a Dr. Flores, pegando depois a Alberto Bins. Em frente ao prédio da Fecomércio, houve várias manifestações de sindicalistas. Os comerciários receberam apoio de outras categorias. Ao microfone, Sérgio de Miranda, representante da Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura RS), disse que estava ali para lembrar que os comerciários são parte fundamental no crescimento do comércio gaúcho. “Não existe motivo para que a patronal não atenda as reivindicações da categoria.”

texto: Ivan Vieira
fotos: Márcia Carvalho

terça-feira, 3 de maio de 2011

Ato de 1º de Maio da CTB reúne mais de 25 mil em Caxias

Mais uma vez o ato show da CTB do Dia do Trabalhador, em Caxias do Sul, reuniu milhares de trabalhadores, nos Pavilhões da Festa Uva, neste domingo, 1º de maio. Foram mais de 25 mil pessoas que assistiram aos shows e aos pronunciamentos dos líderes sindicais.

Antes da atividade cultural, a CTB realizou um debate sobre desenvolvimento do país sob o tema “As Lutas dos Trabalhadores para Brasil Avançar”. A mesa do debate foi coordenada pelo presidente da CTB/RS, Guiomar Vidor, e contou com a presença do vice-governador do Estado, Beto Grill e do deputado federal Assis Melo (PCdoB), da deputada federal, Marisa Formolo (PT), do vice-presidente nacional da CTB, Vicente Selistre, e da presidente do Sindicato da Alimentação de Caxias do Sul, Arlete Schmitz.


"Defendemos o desenvolvimento com políticas públicas para os trabalhadores"

O presidente da CTB/RS, Guiomar Vidor, que também é presidente da Fecosul, disse que o debate tinha por objetivo aprofundar o que a CTB defende que é um projeto nacional com desenvolvimento e valorização do trabalho. “Isso significa que queremos políticas de governo federal voltadas aos trabalhadores como saúde, moradia, transporte, lazer. Muito já conquistamos, mas muito ainda precisa ser feito. Elogiamos a valorização do salário mínimo nacional e a bolsa família, mas criticamos a política econômica”, destacou Vidor.

“Queremos redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, mais respeito pelos aposentados, entre outras questões que reflitam em melhores condições de vida para os trabalhadores”, reforçou o presidente da Fecosul e da CTB/RS.

O vice-governador falou dos projetos do governo estadual para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. “Não queremos dividir o Estado na metade sul e metade norte, queremos tratar cada região e cada setor da economia com suas peculiaridades e reforçar seus potenciais”, discursou Beto Grill. Ele ainda disse acreditar que sindicatos fortes e livres fortalecem deputados e outros políticos que defendem a luta dos trabalhadores. “Senão haverá retrocesso”, falou Grill se referindo ao fortalecimento da democracia no país.

Já o deputado federal, Assis Melo, disse que os trabalhadores têm sim o que comemorar no dia 1º de Maio. “Muito já foi conquistado como as lutas dos trabalhadores como o direito de estarmos aqui reunidos discutindo as políticas do país. Em outros tempos isso não era possível”, disse Assis. “A eleição de um deputado comunista também é uma conquista para os trabalhadores”, completou o deputado do PCdoB.

Mais uma vez a CTB levou milhares de pessoas para o já tradicional ato show em Caxias do Sul
Na parte da tarde mais de 25 mil trabalhadores foram embalados pelos os shows da Família Hip Hop e Bateria Show, Lucas e Marcos, Osvaldir e Carlos Magrão, Tchê Garotos e Papas da Língua. Também houve atividades como educação ambiental. Os shows foram intercalados com falas das lideranças sindicais e movimentos como das mulheres e estudantil.

O ato foi uma promoção da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Sindicato dos Comerciários, Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região, com apoio da Prefeitura de Caxias e das rádios Mais Nova e São Francisco Sat. Outros sindicatos da região como comerciários de Farroupilha e Canela, e Seaacom Caxias também participaram da atividade.

Vários shows embalaram o público trabalhador como a banda gaúcha Papas da Língua 
Dirigentes da Fecosul e outros sindicatos filiados à Federação também participaram do 1º de Maio da Prefeitura de Canoas que contou com apoio da CTB e de outras centrais sindicais. Assim como os sindicatos da Fronteira Oeste participaram da comemoração em Alegrete e outras cidades.

Márcia Carvalho